quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

"Eu" e "Nós"

Você sabe que deveria lutar e fazer de tudo para esquecer aquela pessoa. Mas não consegue. Você sabe que, em N aspectos aquela pessoa só te faz mal e, mesmo assim, você a quer.Você sabe o por quê de tudo isso? Se não sabe, eu digo: é porque isso é amor, não é paixão.
O amor é muito mais que uma paixonite aguda. O amor às vezes tem paixão, mas é muito mais que isso. O amor é um sentimento muito mais forte que a paixão jamais será. A paixão é loucura, é imediatismo, é o fogo que precisa arder para o relacionamento funcionar. Dizem até que a paixão é o estopim de uma relação.
O amor é tudo. O amor cuida, bota no colo e coloca pra dormir. O amor trata das doenças e afasta maus momentos. O amor é tudo aquilo que a paixão não é: o amor é calmaria. Ele não precisa arder em brasas para que uma pessoa veja o quanto seu amado lhe quer bem, porque as coisas são assim: está tudo no olhar.
O amor sobrevive distâncias e dores, por piores e maiores que sejam. A paixão não. E até nisso o amor é calmaria, porque ele sabe que se for pra ser, vai acontecer mesmo com essa dificuldade. A paixão não tem essa certeza, seu fogo pode ser apagado a qualquer momento, por qualquer jato d'água.
A paixão te maltrata quando aquela pessoa te rejeita, e o amor consente. Sabe por quê? A paixão não é altruísta, ela quer tudo àquele momento, daquela maneira, com aquele ardor. E o amor faz a pessoa ver que a outra está em busca do melhor para si e o amor compreende isso, aceita a busca da felicidade do outro e até a apoia.
E sabe o quê mais? A paixão vai e volta, mas quando ela vira amor, ela fica. Se for pra ser amor, vai ser independente de quando ou como aconteça. Mas se for pra ser paixão, vai ser diversão até esse fogo apagar. Mas se for pra ser amor... Quando esse fogo se consumar em braseiro apagado, fica tudo morno, mas não no sentido que você entendeu. As coisas não "amornam" ou entram na monotonia como todo mundo costuma pensar, muito pelo contrário! Exatamente por ser um braseiro morno é que você sabe que aquele é o melhor sentimento do mundo, pois você não precisa pôr sua mão no fogo para ver que está quente, você pode sentir aquele calor bem ali, naquele braseiro morninho do lado esquerdo do peito.
E esse braseiro morninho também pode ser qualquer coisa: um abraço, um colo, um seriado visto à dois em sua cama de casal. Aquele braseiro é só de vocês dois e mais ninguém adentra. É aquela bolha de felicidade de vocês onde vocês se completam e mantém aquele braseiro morninho até o fim dos tempos.
O amor vai te fazer desejar a presença daquela pessoa quando ela estiver distante, mas aquele "Eu te amo" dito pelo telefone vai agarrar seu coração e mantê-lo morno até que a pessoa esteja ali do seu ladinho. A paixão faz isso? Acho que não... O primeiro pensamento que percorre é "Se me ama então porquê teve de ir?". Vê? O amor agarra tudo aquilo que a paixão não é capaz de agarrar.
No fim das contas, a paixão é complexidade quando o amor é a simplicidade. Você sabe que é amor quando sente, mas quando está apaixonado você precisa refletir sobre aquilo. E, por mais controverso que possa soar, a paixão te faz imediatista e inconsequente: você não pensa antes de fazer algo pois quer satisfazer aquela paixão e a si mesmo, trata muito do "eu". E o amor, ah o amor.. No amor nunca exite um "eu", só existe um "nós" e no que os dois podem fazer para manter aquele braseiro morninho até o fim dos tempos.

PS.: Só para constar: o braseiro ainda está morninho. Você sabe o que precisa fazer. Save the date: February 22nd.