terça-feira, 17 de novembro de 2015

Já deu

Queria que fosse diferente. Queria não ter que passar por isso. Queria não ter que sofrer por você. Pelo menos, não mais. Já sofri tanto por você, poxa! Então você viaja, cria uma realidade paralela à sua vida e eu continuo aqui: nessa mesmisse, vivendo dia após dia.
Você sabe que eu acredito na lei universal do What goes around comes back around. Mas eu ando tão na merda há tanto tempo, que eu imagino o que eu fiz pra merecer tudo isso. Porque se isso é uma lei da vida qe serve para os outros, certamente servirá para mim também, não é mesmo?
Talvez seja só o universidade tentando me ensinar a para de ser trouxa. E está (finalmente) funcionando. Estou aprendendo. Mas eu tenho meus dias de fraqueza, e hoje é um deles. Foi uma fraqueza braba.
Uma pessoa me abordou no estacionamento, na janela do meu carro, perguntando se eu poderia fazer algum tipo de contribuição em troca de uns panos de prato. Eu disse que não estava interessada, mas a pessoa insistiu. Comprei os panos de prato e quando a pessoa foi me dar o troco, as moedas escorregaram entre seus dedos. Por um milésimo de segundo achei que seria uma treta, que aquela pessoa estava sacando uma arma e que aquilo seria o fim. E, por outro milésimo de segundo, eu desejei que aquilo realmente acontecesse. Pude ouvir um "Finalmente!" ecoar dentro de minha cabeça, mas não. A pessoa não sacou nenhuma arma, e entregou meus trocados.
Talvez seja a vida dizendo que ainda não é a minha hora, que eu ainda tenho muito a viver. Mas, sinceramente, dentre tudo o que eu já sofri esse ano, não sei se quero continuar nessa vida. Digo, eu fiz tanto por você, me doei tanto por você, sofri e chorei horrores por você, para você criar a sua vida paralela e eu continuar aqui, adivinha fazendo o quê? Exato, ainda sofrendo por você. Tô cansada disso de verdade. Acho que já deu.
Acho que já deu de tudo isso, de verdade. Cansei de ser trouxa, cansei de ser desvalorizada e desamada. Cansei. Talvez na próxima vida eu tenha de pagar por esse pensamento, mas pelo menos vai ser outra vida, quem sabe o que ela vai me reservar? Porque desta aqui, eu já estou farta.

domingo, 8 de novembro de 2015

- Nunca faça isso, Sophia. Por favor. Não importa se eu vou te perder como namorada, como amiga, ou que seja. Mas eu nunca quero te perder.
- Sabe, isso não é algo que eu possa realmente controlar. Não posso te fazer nenhuma promessa. E isso é tudo o que eu posso te dizer.
- Sophia, por favor. Me prometa.
- Eu não posso.
Elas se encararam pelo que pareceu uma eternidade, até que uma lágrima rolou pelo rosto de Alice. Não importa o que ela diga, Sophia não pode fazer essa promessa. Naquele exato momento ela estava desejando acabar com tudo aquilo, com toda aquela dor e sofrimento que a vem perseguindo há meses.
- Só... Por favor, não importa o que você faça, não fique sozinha. Saia com seus amigos, foque no trabalho, o que seja. Apenas se ocupe com algo que valha a pena, já que eu não valho as suas lágrimas.
- Posso tentar. Mas não posso prometer.
- Poxa, não faz isso.
- Eu só estou sendo honesta.
- Honestidade nunca faltou em você. Só em mim.
- Exato.
Sophia estava sendo dura. Mas Alice merecia. Alice merecia saber que esse pensamento mórbido passa pela cabeça da Sophia todos os dias e que a culpa é toda dela.