sábado, 29 de agosto de 2015

Este alguém

Entrei no carro, dei partida. Dirigi como se estivesse em piloto automático. As luzes dos postes passavam por mim, mas não penetravam minha retina. Eu seguia o fluxo do trânsito medindo apenas a distância do carro em frente ao meu. Eu estava alheia ao que acontecia ao meu redor. Meu pensamento permeava uma única coisa. Ou melhor, um único alguém. 
O dia foi cheio. Conversei, comi, ri. Mas ao final de cada palavra proferida, após cada comida ingerida e cada risada compartilhada, minha mente voltava a pensar naquele alguém. Este alguém que eu gostaria que estivesse ali comigo, que estivesse aqui comigo agora também. Aquele alguém que eu nunca quis que se fosse, mas que decidiu partir, sem perspectiva de volta, mas que eu desejo que volte mesmo assim.
Agora, em casa, olho ao redor e sinto o vazio. Sinto a solidão do quarto e da noite fria falarem comigo. Sinto minha impaciência crescer e a saudade apertar a cada segundo que passa. Decido me ocupar. Empilho o material da faculdade para estudar. Inútil. Meu pensamento continua vagando. Sento-me à escrivaninha e abro o laptop. Isto foi tão inútil quanto fora todo o resto. Porque agora estou escrevendo sobre este alguém que não sai da cabeça e que agora também está aqui, gravada nestas palavras.
Se leres isto, saiba: eu sinto a sua falta. A cada momento, a cada solar, a cada visualização de momento que eu poderia ter aproveitado com a sua presença. Com a lembrança de cada sorriso, de cada olhar, de cada beijo e abraço apertado, mas na esperança de que tudo isso volte a se concretizar.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Você me disse verdades que estavam escondidas à sete chaves. Eu superei. Disse que eu merecia alguém melhor que você. E eu concordo. Mas é você quem eu quero, você não entende? Você diz que está esperando o momento em que vou explodir de raiva e que você compreenderá quando isso ocorrer. E a única coisa que eu posso dizer sobre isso é que não sei se isso chegará a acontecer.
Pessoas normais estariam mortas de raiva, desejando muitas coisas ruins. Eu estou bem. E, na verdade, a única coisa que desejo é que fiquemos bem também. Não perdoei nada, mas passei por cima de tudo. Sabe, acho que o amor é isso. Quando se tem um sentimento forte assim, a gente tenta passar por cima de todas as coisas para fazer tudo dar certo. A gente põe numa balança todo o ocorrido, todo o amor, todo o sofrimento, toda a angústia... E a gente espera que tudo isso resulte em mudança, comprometimento e adiciona a esperança de que todo este esforço dará certo.
Você me conhece, sabe que eu não desisto sem tentar. E essa é a última tentativa. É um tiro no escuro. Mas é uma possibilidade. E se não der certo, ao menos posso dizer que eu tentei. Triste é aquele que se priva de tentar e acaba por indagar "E se eu não tivesse desistido?" Não quero esse tipo de reflexão.
De todo modo, se não der certo, a vida continua. E se der, trataremos tudo isso como uma nova página da nossa relação, será um novo caminho, superado um novo obstáculo. Até porque a vida tem disso, nos apresenta grandes obstáculos para saber se nós fraquejaremos diante deles ou se o superaremos. Eu sou um 'coffee bean', seja um você também.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Do que me aflinge

Vejo você saindo, curtindo, turistando, conhecendo lugares e pessoas novas. Enquanto eu vivo a minha rotina trabalho-casa-faculdade. Eu não estou conseguindo te entender. Talvez nem você consiga. Sei bem o que eu quero e é você, nunca deixou de ser.
Fazem exatos sete dias que nosso relacionamento teve uma pausa, por assim dizer. Você disse que não era um ponto final, mas um ponto e vírgula. Disse que precisa se reencontrar, que está confusa. Disse que me ama. E eu não sei se acredito. Você diz que sofre, mas eu não vejo isso. Diz que sente saudade. Mas como você pode sentir saudade e querer ficar sozinha ao mesmo tempo? Não faz sentido.
Me disseram que por mais que eu esteja sofrendo, que eu lhe ame e que eu devo ter o meu tempo de dor pela situação, eu preciso te esquecer. Disseram-me que eu mereço alguém melhor. Mas como posso ter alguém melhor se quem eu quero é você? Isso as pessoas não entendem. E às vezes nem eu entendo...
Fizeram o favor de me lembrar sobre aquela frase proferida em As vantagens de ser invisível: "A gente recebe o amor que achamos merecer". Ando refletindo muito sobre isso. Por vezes sinto minha cabeça dar um nó e por outras entendo a citação de forma translúcida. Mas nesse meio tempo tudo o que eu realmente quero entender é o que se passa pela sua cabeça.
Digo, se tivemos um fim, eu quero entender o porquê. Você tentou me explicar e eu continuo sem entender como alguém pode querer ficar sozinho. Isso é muito solitário. Já estive sozinha por um bom tempo antes de encontrar você e eu sei como é: é terrível. É muito ruim não ter alguém que te entenda completamente, que te ame acima de qualquer coisa, que cuide de você mesmo que você esteja com uma doença contagiosa. É muito solitário perceber que não há ninguém que estará lá por você 24/7. E você pode até dizer "Ah eu tenho meus amigos! Eles me ajudam em tudo!". Eles podem até ajudar, mas quando você estiver sozinha rolando na cama antes de dormir, desejando que houvesse alguém ali para lhe esquentar, entenderá o que estou querendo dizer.
Mas é claro, espero que você não passe por isso. Espero que um dia eu possa voltar a ser esse alguém a esquentar a sua cama, cuidar de suas doenças, fazer-lhe café-da-manhã, dizer-lhe o quanto te amo e o quanto é linda mesmo vestindo aquele pijama velho e furado que eu detesto. Talvez um dia isso tudo passe e você se arrependa do que aconteceu, e talvez até deseje que não tivesse acontecido. Mas novamente, não espere se sentir solitária para perceber tudo isso.

sábado, 15 de agosto de 2015

Às vezes

Às vezes desejo nunca ter te conhecido. Mas com isso, eu abriria mão de muita coisa boa que já me ocorreu, e dos dois anos mais felizes da minha vida. Às vezes me vem uma raiva absurda de você, por eu sofrer tanto por você. Mas às vezes o carinho e o amor que eu sinto por você falam bem mais alto e eu sinto uma saudade grande, um aperto no peito e o nó entalar na garganta.
E tudo isso é por uma causa só: eu te amo muito. Não sei como serão meus próximos passos não tendo você ao meu lado como antes, e tê-la apenas como amiga. Dói muito pensar que tivemos um fim, quando eu desejava - e ainda desejo - que fôssemos para sempre. Dói pensar na dificuldade que vai ser controlar o impulso de abraçá-la sempre que a vir. Já me dói aos ossos controlar o impulso de não mandar essa mensagem, porque a gente precisa se afastar para ficarmos bem.
Tudo isso me dói tanto pelo simples motivo de eu continuar não querendo sentir saudades.