sexta-feira, 1 de novembro de 2013

(Não é) azul da cor do mar

É estranho. Olho pro céu, esse maravilhoso céu que sempre amei, e não consigo mais ter aquela sensação de paz que sentia. Agora, olho para esse campo azulado sem limites e sinto desespero. O desespero que me corrói o coração todos os dias dos últimos meses. Sinto o coração bater forte ao bombear o sangue que circula em minhas veias, e torço para conseguir controlar a respiração e a sequência de lágrimas que são produzidas. Tento não deixá-las rolarem. Tento manter-me positiva, pois tudo passa nesta vida, independente do tempo que demore. Mas esse tempo está demasiado demorado.
Sinto como se esse magnífico céu azul se tornasse cinzento a cada vez que eu o aprecie. Cinzento como anda o meu humor, cinzento como anda a minha vida. Então, não o aprecio mais. Aprecio o azul e não o cinza. Quanto tempo será que falta para que este céu cinzento e carregado de chuva vá embora? Quero logo o meu azul-anil encantador de volta.
Quero a junção céu e mar em azul. Não combina um mar verde com um céu cinza, não é mesmo? Não combina, mas é o que temos. Nem sempre temos o que queremos. Temos o que podemos ter e temos de aceitar. Aceitar o cinza a derramar sua chuva enquanto o azul está por vir. O tic-tac no relógio diz que estamos a um segundo a menos de espera pelo azul. Quantos segundos mais o relógio precisará tictaquear? O tempo é uma máquina imprevisível e é bom saibamos que, assim como o céu pode voltar a ser azul permanentemente, ele pode permanecer assim por um período temporário ou, na pior das hipóteses, pode permanecer cinza.

PS.: Irônicamente, o cinzento deleitou-se em chuvas ao final do último parágrafo.