sexta-feira, 1 de novembro de 2013

(Não é) azul da cor do mar

É estranho. Olho pro céu, esse maravilhoso céu que sempre amei, e não consigo mais ter aquela sensação de paz que sentia. Agora, olho para esse campo azulado sem limites e sinto desespero. O desespero que me corrói o coração todos os dias dos últimos meses. Sinto o coração bater forte ao bombear o sangue que circula em minhas veias, e torço para conseguir controlar a respiração e a sequência de lágrimas que são produzidas. Tento não deixá-las rolarem. Tento manter-me positiva, pois tudo passa nesta vida, independente do tempo que demore. Mas esse tempo está demasiado demorado.
Sinto como se esse magnífico céu azul se tornasse cinzento a cada vez que eu o aprecie. Cinzento como anda o meu humor, cinzento como anda a minha vida. Então, não o aprecio mais. Aprecio o azul e não o cinza. Quanto tempo será que falta para que este céu cinzento e carregado de chuva vá embora? Quero logo o meu azul-anil encantador de volta.
Quero a junção céu e mar em azul. Não combina um mar verde com um céu cinza, não é mesmo? Não combina, mas é o que temos. Nem sempre temos o que queremos. Temos o que podemos ter e temos de aceitar. Aceitar o cinza a derramar sua chuva enquanto o azul está por vir. O tic-tac no relógio diz que estamos a um segundo a menos de espera pelo azul. Quantos segundos mais o relógio precisará tictaquear? O tempo é uma máquina imprevisível e é bom saibamos que, assim como o céu pode voltar a ser azul permanentemente, ele pode permanecer assim por um período temporário ou, na pior das hipóteses, pode permanecer cinza.

PS.: Irônicamente, o cinzento deleitou-se em chuvas ao final do último parágrafo.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

CIJ se reúne para nova discussão

Morte do presidente da Síria é motivo de atritos entre as delegações.


Haia, Países Baixos – A Corte Internacional de Justiça (CIJ) voltou a se reunir neste sábado (12) para a discussão e acordo do tema “Parecer consultivo sobre a aplicabilidade da responsabilidade de proteger”. O debate ocorreu entre as delegações do Canadá, Brasil e Estados Unidos e teve início com o depoimento da Sra. Cindy Lessa, representando a Liga dos Estados Árabes.
Seu relato foi seguido pelas considerações das delegações em questão. A ordem dos pareceres apresentados à Corte partiu da delegação canadense, passando a palavra à delegação brasileira e, posteriormente, à estadunidense.
Dentre os tópicos presentes nos discursos das três mesas, tem-se destaque para o conceito da responsabilidade de proteger e as atribuições de incentivo por parte de cada delegação.
Além disso, a delegação dos Estados Unidos mostrou seu parecer quanto à publicação do jornal Aljazeera quanto à morte do ditador Bashar al-Assad, contestando a veracidade dos fatos. Isso causou tensão entre as delegações.
Foi convidado à CIJ, o Sr. José Carlos Marques, especialista em Direito Internacional da Segurança, com o intuito de responder aos questionamentos das três delegações presentes. A rodada de peguntas foi aberta com o conceito e aplicação do princípio da responsabilidade de proteger, bem como o parecer do convidado quanto à violação dos Direitos Humanos.
Após o depoimento do especialista, a Corte deu continuidade ao julgamento, passando às considerações finais das delegações seguindo a mesma ordem de delegações dos processos anteriores. Sucedeu-se, então, a votação secreta dos 15 juízes pertencentes à mesa; a jurisdição final do parecer consultivo será anunciada pelos juízes na cerimônia de encerramento ainda hoje.

Post referente à matéria produzida durante a simulação do turno diurno do terceiro dia (12) da SOI/UFRN, no comitê da Corte Internacional de Justiça (CIJ).

Agentes da Alemanha e da Itália dão seus pareceres sobre os debates da CIJ

"Eu me senti desrespeitado", confessa o agente alemão.


Na tarde desta sexta-feira, os juízes da Corte Internacional de Justiça (CIJ) se encontravam em reunião secreta para a votação do julgamento da lide que ocorre entre Alemanha e Itália com a ação intervencionista da Grécia. Enquanto ocorria a discussão, os agentes da delegação italiana, Gabriel Villarim, e o da delegação alemã, Lázaro Nascimento, declararam seus pareceres quanto aos debates ocorridos ontem e na manhã de hoje.

Carol Lucena – Qual o concreto posicionamento do seu país no debate em questão?
Gabriel Villarim – A Itália veio à Corte em detrimento da proteção dos Direitos Humanos dos civis italianos que foram violados durante os massacres ocorridos na Segunda Guerra Mundial. Busca, essencialmente, a reparação dos italianos face à negativa do Estado alemão em realizar as mesmas, utilizando como argumento a aplicação das normas de jus cogens no caso.

Lázaro Nascimento – Nós acreditamos que a Itália não tem a competência jurídica necessária para julgar a Alemanha pelos crimes cometidos ao final da Segunda Guerra Mundial. Com isso, pedimos que a Corte Internacional de Justiça declare improcedente as condenações que foram feitas ao Estado alemão pelas violações, face à alegação por parte da Itália de que violações às normas de jus cogens são inderrogáveis, e qualquer Estado poderia julgar quem as violou. Apesar de as normas serem, de fato, inderrogáveis, uma vez violadas, não permite a qualquer Estado a possibilidade de condenação a outro que as tenha violado, pois agride a sua soberania.

Carol Lucena – Qual a interpretação do conceito de jus cogens para a delegação a qual o senhor representa?
Gabriel Villarim – A Itália entende que as normas de jus cogens compreendem a expressão mínima essencial dos Direitos Humanos. A Alemanha violou, diretamente, os jus cogens durante a Segunda Guerra Mundial, uma vez que ocorreram crimes de guerra e contra a humanidade. Tais normas são irrevogáveis, irrenunciáveis e devem ser respeitadas a qualquer custo. Portanto, a soberania alemã deve ser relativizada neste caso em prol da conservação das mesmas.

Lázaro Nascimento – O conceito de jus cogens é de normas imperativas, inderrogáveis, e que dizem respeito aos Direitos Humanos, atuando principalmente como proteção a crimes de guerra. Acreditamos que sua previsão é escassa, bem como sua praticidade, uma vez que é previsto no Artigo 53 da Convenção de Viena como uma forma preventiva. Não se tem nenhum costume ou norma dizendo que um Estado possa julgar outro por tê-las violado. A soberania dos Estados só deveria ser flexibilizada em detrimento do jus cogens na aplicação propriamente dita das normas.

Carol Lucena – Quais as suas expectativas para a votação dos juízes?
Gabriel Villarim – Minha expectativa é que os juízes reconheçam a importância da jurisdição internacional na proteção das normas de jus cogens, e que, diante disto, eles votem a favor da Itália. Esperamos que isso seja feito a partir ou da condenação da Alemanha na prestação destas reparações, ou no reconhecimento da restrição da imunidade jurisdicional do Estado alemão.

Lázaro Nascimento – As melhores possíveis, apesar de ainda parecer duvidoso. O debate foi muito bom e equilibrado. Acredito que a interpretação das normas de jus cogens tenha rendido muita discussão entre os juízes. Então, é provável que a votação tenha se baseado na possibilidade dos juízes em enxergar a aplicabilidade inadequada ou não das normas. Atos de guerra são atos de império e, mesmo violando jus cogens, a imunidade de jurisdição não pode ser afastada.

Carol Lucena – O que o senhor tem a dizer quanto à exaltação do agente alemão Lázaro Nascimento?
Gabriel Villarim – Os agentes da Alemanha incorreram de certas indelicadezas ao tentarem defender seus pontos de vista, especialmente por parte do agente Lázaro. Ele se excedeu em suas colocações usando de termos ofensivos e desrespeitosos com os agentes italianos e gregos. Mas a delegação italiana entende que em um ambiente como a Corte é comum a ocorrência de picos de emoção como este, tanto que reconhecemos que o agente Lázaro e toda a delegação alemã fez, no geral, um belo trabalho durante as discussões.

Carol Lucena – O que o senhor teria a dizer com relação a singela troca de ofensas e a sua exaltação na tarde de ontem?
Lázaro Nascimento – Foi decorrente da adrenalina do momento. Eu me senti desrespeitado. Equivoquei-me, mas não senti constrangimento com o erro. Senti-me constrangido pelas inúmeras interrupções que sofri durante o meu discurso. Uma regra básica da educação em um debate, é respeitar a oratória de uma pessoa, permanecendo calado, ouvindo o que a pessoa está dizendo, e não interrompendo a todo o momento. Houve, inclusive, um momento no primeiro dia de debates que me interromperam diretamente e isso afetou o meu raciocínio e a minha construção argumentativa, por isso fiquei tão irritado. Embora tenha achado um desrespeito, não atribuí o fato a uma ofensa pessoal, em momento algum.

Post referente a matéria produzida durante a simulação do turno vespertino do segundo dia (11) da SOI/UFRN, no comitê da Corte Internacional de Justiça (CIJ). 

terça-feira, 30 de julho de 2013

Já era, choro

Daí você precisa segurar o choro na aula. Dizem que a coisa mais difícil a se fazer em sala de aula é manter-se acordado durante uma aula extremamente chata. Eu discordo, há coisas piores, como ter de engolir um choro assim.
É muito ruim ter de se segurar para não imaginar situações ruins. E de repente, BUM, você recebe uma mensagem que comprova exatamente tudo aquilo que você etstava lutando para não imaginar. E como você fica? Daí sim você para de prestar atenção na aula e tenta se concentrar na única coisa que consegue: não chorar.
O que antes você ainda conseguia absorver 6 a cada 10 palavras ditas pelo professor, tornou-se um saldo negativo, atenção zero. Já era. Já era a sua atenção na aula. Já era a sua sanidade mental pelo resto do dia. O dia será ruim até que você deite a sua cabeça no travesseiro e acorde em um novo dia, com novas emoções.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Impossível é não se emocionar com o ocorrido em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Não quero me focar nas atribuições de culpa. Isso, obviamente, é importante, mas fica para depois. Meu foco é o sentimento, o sofrimento que a situação ocasiona.
Eu não conhecia nenhuma das vítimas, mas não é isso o que importa. O que, de fato, quero dizer, é que tantas pessoas jovens se foram, tantos parentes e amigos choram. Tantas pessoas estão inconsoláveis. E eu, mesmo morando bem longe do ocorrido, não tendo conhecido ninguém presente no acidente, seguro um choro a cada vez que o assunto ressurge nas notícias e nas redes sociais.
Tenho uma grande amiga que mora em Santa Maria, e estuda na UFSM, assim como a maioria das vítimas. Assim que eu soube, tentei falar com ela, e ela não me respondia. Raramente perco a calma, mas ontem, enquanto esperava pela resposta da minha amiga, cheguei perto de perder a calma, diante do nervosismo que se instalava. E ela respondeu, disse que estava tudo bem e que não tinha ido à boate, e foi como se um grande aperto no meu coração se tornasse em aperto bom, e as lágrimas que eu interrompia, subitamente rolaram. E depois, pus-me a pensar: se o meu sofrimento aqui, tão longe, desconhecido das vítimas era tamanho, não havia imaginação em que coubesse a dimensão da dor que os parentes, amigos e conhecidos lá, em Santa Maria, sentem.
Se eu pudesse, iria para lá, para ajudar, voluntariar, e dar um forte abraço na minha amiga. Mas a distância é grande demais. Ela apenas não é grande para o sentimento. Para você que está longe, como eu, não conheceu as vítimas, ou algo similar, transmita seus sentimentos. Isso faz a diferença, isso consola, isso ajuda. Santa Maria precisa de humanidade, solidariedade, compaixão. Faça a sua parte, mesmo que de longe, mesmo que seja pouco, mas faça. Nunca se sabe o quanto isso pode acalentar um coração.