domingo, 7 de novembro de 2010

O sonho

Era um sonho, só podia ser um sonho. Ele estava ali, com ela. Ele, logo ele! Ela já não sabia mais o que sentia por ele, se era só amizade ou se já era algo mais. Mas de uma coisa ela tinha certeza: era ele. E ele estava ali com ela, de mãos entrelaçadas. E aquilo só poderia ser um sonho.
O céu estava de um azul sem nuvens, assim como ela gostava. A brisa era agradável. As ondas quebravam na praia e derrubavam um surfista de sua prancha. E ele estava ali, de mãos entrelaçadas com ela. Definitivamente, era um sonho.
"Não quero acordar, não vou acordar" ela pensou. E não acordou. Retirou os olhos do céu e olhou para ele. Ele sorria. Seus rostos começaram a se aproximar, chegando a um ponto em que um podia sentir o ar quente expirado do outro. Achou que fosse acordar quando seus lábios se tocassem, mas não acordou.
Beijo doce, fosse pelo gosto do sorvete, fosse por quem o dera. Era suave e tradutor. Traduzia o "Eu te amo" que ela tanto queria dizer e ouvir. E, de repente, "Eu te amo", ele disse. Não acreditou no que ouvira, mas disse "Eu também te amo".
Levantaram-se e começaram a caminhar na praia, com a água do mar a molhar seus pés. Ainda estavam de mãos entrelaçadas, até que ele parou. Simplesmente parou, largando a mão dela. Ela sentiu medo. Talvez ela estivesse prestes a acordar. "Isso não está certo" ele disse. "O que não está certo?" ela perguntou, sentindo-se mais confusa que nunca. Afinal, como poderia não estar certo? Eles estavam juntos, se declararam. Isso era mais do que certo para ela.
"Não posso. Não está certo. Você não entende?" ele dizia, quase gritando. "Não, não entendo" foi o que ela pensou. "Eu não posso fazer isso. Vou me mudar próxima semana." ele dizia, mais pensando que explicando à ela. "Fazer o quê?" ela dizia, quase aos gritos também. Ele se aproximou, pegou a cabeça dela delicadamente, como se fosse beijar, mas não beijou. Ela suspirou. Agora ela entendeu. Era o fim. Quis acordar daquele sonho, já não queria mais aquele sonho, não queria.
Até que ele disse "Não posso me mudar e te deixar aqui, esse é o problema". Ela suspirou novamente, mas de alívio, desta vez. "Então, o que iremos fazer?" ela perguntou com curiosidade e desatando a pensar. "Eu tenho uma solução!" ele falou de repente, depois de um longo silêncio, e continuou: "Não sei se você concordará, mas acho que é a melhor solução" ele disse baixando o tom.
Agora sim, ela achou que estaria tudo terminado. Estava escrito em seu olhar. Sua boca cerrada, com medo do que viria a seguir, seus olhos já começando a lacrimejar. Olhou fundo nos olhos dele e viu que também haviam lágrimas. Era o fim. Quis novamente acordar. E ele disse "Case-se comigo".
"O quê?" ela disse. E ele repetiu: "Case-se comigo" e abriu um sorriso. Percebeu que ela parecia estar em estado de choque e foi até ela. "Eu entenderei se não quiser" ele disse, agora com lágrimas rolando pela sua face. Ela piscou e uma lágrima também desceu pelo seu rosto. Ela chegou mais perto dele, limpou sua lágrima e sussurrou "Eu não disse não, disse?" e abriu um sorriso.
Eles se olharam, como se estivessem dizendo "Eu te amo" novamente, e se beijaram. "Ok, se eu acordasse agora, acordaria muitíssimo feliz" ela pensou. Mas ela não acordou, aquilo não era um sonho.

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