domingo, 24 de outubro de 2010

Burguesinhas, academia e artes marciais

Elas andam em grupos, normalmente, de quatro ou cinco componentes, têm o mesmo corte de cabelo, se vestem da mesma forma, que acaba se tornando um uniforme: saia cintura alta, blusa e salto. Algumas usam maquiagem para ir à aula às 7 da manhã e utilizam o uniforme até para ir ao cinema. Quem são elas?
As burguesinhas também costumam fazer parte de um mundo paralelo ao mundo habitual (ou mundo real, diga-se de passagem) e, na maioria das vezes, costumam pensar que beleza é mais importante que conteúdo. Não digo que beleza não importa, pois ela realmente importa, mas ela não é a essência. Refiro-me aqui, à beleza delas próprias e à beleza que elas procuram em seus futuros cônjuges.
Falar de beleza me leva à outro elemento também presente na vida das burguesinhas: academia. Muitas burguesinhas utilizam a academia não só como válvula de escape ao estresse, mas também como modelador de suas curvas, para servir de auxílio na "paquera". Além de a academia ser um ótimo ponto de encontro para aqueles que estão à procura de um cônjuge perfeito (refiro-me à beleza, ao utilizar o termo perfeito).
Não digo que academia não traz benefícios à saúde de seus frequentadores. Mas digo que, muitas vezes, os próprios frequentadores só estão ali para adquirirem a tão procurada beleza.
Não poderia falar de academia e deixar de falar de artes marciais. Quer dizer, na grande realidade, poderia, mas acho importante falar. Quando eu era criança, todo garoto/adolescente que se denominasse "macho" praticava uma das famosas artes marciais. Uns preferiam judô, outros karatê, e alguns preferiam experimentar taekwondo. Era quase como uma regra à infância masculina. Digo sem medo de errar que os tempos mudaram, e mudaram muito, nesse aspecto.
Os meninos de hoje completam seus onze anos sem saberem dar um chute que se preze no ar, e com uma meta em sua linha de pensamento: começar a malhar para conquistar garotas. Por que eu deveria crer que a geração após à minha não está perdida? Ela, de fato, está. Afinal de contas, o aconselhado para dar entrada na academia é A PARTIR dos 15 anos, podendo variar conforme o organismo do indivíduo.
Levando em consideração que, começar a frequentar academia e pegar peso antes da idade indicada pode causar atrofia muscular e acarretar diversos outros problemas, por quê as crianças que acabaram de entrar na pré-adolescência teimam em querer ir para a academia?
Ainda gostaria de saber a resposta para a minha pergunta, mas tenho um palpite: as crianças estão "amadurecendo" cada vez mais cedo. As aspas são realmente necessárias, uma vez que as crianças NÃO estão amadurecendo antes do previsto, elas simplesmente acham que estão. O que leva a situação à outro rumo.
No final das contas, eu não posso fazer nada pela geração perdida, mas os pais dessas crianças ainda podem - ou não. Eles só precisam ficar de olho nas burguesinhas, que frequentam as academias para arrumarem namorado (além da questão física, não podemos nos esquecer); e prestar atenção nos meninos que se rebelam para não aprenderem a lutar, mas para terem músculos desenvolvidos. Só não me pergunte como eles vão entrar em uma briga tendo força e não tendo a tática de luta, porquê eu não sei.
Mas nunca se esqueça de que é um ciclo: as burguesinhas querem os garotos das academias - os garotos também querem as garotas das academias - e, esses últimos, deixam de frequentar as artes marciais para adquirirem massa muscular e impressionarem as burguesinhas. Essas últimas nos levam ao início do ciclo. E esse ciclo só terá fim quando essa geração tiver fim (SE ela tiver fim, porque do jeito que veio, acho que é pra ficar).

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