sábado, 7 de agosto de 2010

Saudade de origem

Marcela se recuperou. Finalmente conseguiu fazer com que o passado se postasse no pretérito e não no presente. Ela ainda não compreendia como conseguira fazer isso em apenas uma semana, depois de tantos meses com tentativas fracassadas. Mas não se importava, sentia-se inteiramente feliz por estar feliz novamente. Pode não fazer sentido para você, caro leitor, mas faz todo o sentido para ela.
Com a felicidade dentro de si, Marcela passou a acreditar - mesmo que em parte - em contos de fadas. Digo, no final feliz dos contos de fadas. Passou realmente a acreditar que, mesmo depois de tanto sofrimento, seria feliz novamente.
Agora, Marcela sentia algo à mais. Não que fosse algo relacionado à sua felicidade. Mas sentia ainda mais saudade do lugar de onde viera, de sua cidade natal. Queria voltar a morar lá, queria voltar a ser feliz como um dia fora quando morava lá. Não sabia o quanto amava aquele prédio, aquele colégio, aquelas ruas, a forma com que as ruas se iluminavam ao anoitecer. Não sabia tudo isso até não poder mais ter isso todos os dias, e ter de viver em outra cidade, outro prédio, outro colégio, outra rua.
Às vezes Marcela achava que exagerava quanto a esse sentimento, com toda essa saudade. Mas será que era mesmo exagero? Ou será que era comum sentir isso? Talvez fosse, mas que poucas pessoas se sentissem da forma como Marcela se sentia. Também não se importava tanto com isso, mas simplesmente sabia que sentia saudade.
Apesar de não haver algo que pudesse fazer, ela esperava. Não, ela ansiava. Ansiava pelo dia em que poderia voltar ao seu lugar de origem, do lugar que não deveria ter saído. Ela acabou por chegar à conclusão de que teria sido mais feliz se não tivesse saído de lá, mas ela estava feliz agora. E não havia mais nada a temer.

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