terça-feira, 20 de julho de 2010

Desaparecida superação

"Mãe, amanhã tem uma festa muito boa. Posso ir?", disse Marcela à sua mãe no final da tarde de quinta-feira. Marcela sabia que sua mãe odiava ter de acordar entre 5h e 6h da manhã para pegá-la nas festas. Sua mãe pensou nisso assim que Marcela falou sobre a festa, mas também pensou em outra coisa. Pensou no quanto Marcela andava triste e do quanto necessitava de uma boa festa com os amigos. Sua mãe não conseguiria negar esse momento de descontração para Marcela.
Às 21h30 do dia seguinte, Marcela estava se arrumando para a tão esperada festa. Deu carona a alguns de seus amigos e rumaram para o local da festa. Lá chegando, Marcela encontrou outros amigos e também pessoas que não eram tanto de seu agrado, mas sentiu-se bem por estar ali. Há tempos precisava de uma festa para desopilar e, finalmente, ali estava ela.
Marcela dançou, pulou, cantou, curtiu. Encontrou dois garotos de seu agrados e com eles ficou. Estava muitíssimo contente. Até que se deu conta de que por mais que tivesse visto novos rostos e que até tivesse ficado com eles, seu coração continuava a pertencer à uma pessoa específica. Pessoa, a qual, ela muito provavelmente não tornaria a sentir o sabor do beijo.
Ela queria superar isso. Queria se ver livre desse sentimento que teimava em rondá-la; queria encontrar um novo garoto para amar; queria um novo olhar de entendimento; queria aquela sensação de ter um companheiro. Mas o que Marcela mais queria era esquecer Matheus.
Ela já não sentia mais aquela melancolia, mas ainda podia sentir a ferida aberta em seu coração. Sabia que aquilo era um bom sinal, significava que o sofrimento estava começando a ceder, mas Marcela tinha medo de que fosse apenas uma ilusão, um engano. Afinal, isso já aconteceu antes, e depois o sofrimento voltou pior do que nunca.
Marcela sabia que ele não merecia suas lágrimas, nem seu amor. Mas isso era algo que ela não podia controlar. Simplesmente sabia que tinha de esquecê-lo e dar todo o seu amor para alguém que de fato o merecesse.
Nesse momento, Marcela se perguntou por que as pessoas têm a mania de magoar os outros. Afinal, para que ser tão grosso e desprezível com alguém que um dia você já amou? Era assim que Matheus vinha se portando com Marcela nos últimos tempos. Pensou em revidar esse comportamento, mas se o fizesse, seria tão grossa e desprezível quanto ele, e isso não valeria à pena.
No final das contas, Marcela acha que nada sabe sobre a vida, e que veio ao mundo apenas para sofrer. Mas Marcela ainda está na adolescência e, apesar de ser bem madura e já saber distinguir sentimentos, ainda há muito para acontecer, muita água ainda vai rolar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário