quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Carta não tem título, mas se tivesse, seria "Carta da saudade"

Minha querida amiga,

Há quanto tempo! Não tens ideia do quanto sinto sua falta. Já se passaram meses desde o nosso último encontro, o qual foi por acaso, o que aumenta ainda mais a saudade. Afinal, todos os nossos encontros haviam sido por acaso, não é? Lembro-me somente de um que não foi, e podes ter a maior certeza de que esse encontro marcado continuará a penetrar minhas lembranças, bem como os outros encontros.
Sonhei contigo ontem, durante um cochilo vespertino. No sonho, você me dava um abraço tão apertado, que me fez pensar na primeira vez em que nos encontramos. O abraço do sonho tinha sido tão apertado quanto o daquela ocasião. E esse sonho me fez pensar o quanto sinto a sua falta.
Errei, assim como todos os humanos erram, e a vida tende a continuar. Mas gostaria que isso tivesse acontecido com sua presença. Tenho que admitir que já não sei mais o que aconteceu. A única coisa que sei, é que mesmo estando tão próximas, estamos tão distantes.
Sinto saudade de você, minha amiga. Saudade das conversas, das novidades... Saudade da amizade que tínhamos. Afinal, o que será que aconteceu? Sinceramente, não sei. Talvez o tempo saiba, pois o tempo foi passando, e passando, e a situação pairou no que atualmente se encontra.
Às vezes penso em te ligar, mas desisto logo em seguida. Creio que me falta coragem, ou talvez eu fique muito constrangida para isso. Mas gostaria que soubesse, que não há um dia em que eu não pense em você, nem que seja de relance, principalmente quando vejo fotos do que um dia foi nossa amizade. Toda essa saudade me destrói.
Gostaria de saber o que se passa em sua cabeça quanto à tudo isso, mas me contento somente em lhe falar o que se passa na minha.
Faço muitíssimos votos de felicidades.

Um abraço apertado,
Carol.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Dor, saudade e amor

Um dia me disseram "Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram. Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas".
Talvez seja realmente isso. Talvez soframos por saber que o que planejamos não sairá de nossa imaginação, que o carro que queríamos comprar não está ao nosso alcance, e que o sonho de cursar Medicina está tão longe quanto a Antártida.
Por outro lado, talvez soframos por saber que o que era rotina para nós (em determinado aspecto, é claro) deixará de ser rotina, e que sentiremos saudades daquilo. Sofrer não advém somente do esquecimento do que foi desfrutado. Mas advém daquilo que poderíamos desfrutar e, por intermédio do destino, não desfrutaremos. E, às vezes, o sofrimento é, ou vem acompanhado da saudade.
Saudade realmente é uma palavra triste. Saudade é o sentimento que liga a falta que algo ou alguém pode fazer à uma pessoa, quando este já não está mais presente. Sentimos falta dos amigos, de um antigo amor, de um beijo, de um animal de estimação, de um lugar, de uma vida. Mas a palavra saudade é muito subjetiva. O que pode causar a maior dor em alguém, pode ser insignificante para outras.
Não deveria, mas aqui, citarei um exemplo pessoal. Sinto saudade da minha cidade natal. A cidade que moro atualmente é do meu agrado, até determinado ponto. Mas o fato de ela me agradar não compensa o fato de não ser a cidade que mais me agrada no mundo. Não gostaria de abranger tanto esse assunto pessoal aqui, mas para mim, isto é saudade.
E saudade não é algo que possamos controlar. Isto está acima do controle humano. Afinal de contas, saudade é um sentimento. E como todos sabemos, não é possível controlar os sentimentos. Se quiseres um conselho, eu darei: Nunca diga a alguém para não ter saudade, não amar, ou simplesmente para controlar algum sentimento. Este conselho entrará por um ouvido e sairá por outro, e você ainda correrá o risco de ser mandado à lugares não muito agradáveis.
E como falar de saudade sem mencionar o amor? Ambos são sentimentos presente no dia a dia das pessoas, e sempre andam atreladas. O amor está dentre os mais belos sentimentos humanos. Podemos amar a família, um amigo, um animal de estimação, um namorado. E, de todos estes, podemos sentir saudade. E todos estes podem nos causar dor, independente de qual tipo de dor ela seja. Entretanto, o amor também está entre os piores dos sentimentos humanos.
Dentre todas as dores, inclusive as dores físicas, a dor por decorrência do amor talvez seja a que mais doa. O sol nasce e se põe, e aquela dor continua ali, transformando tudo o que antes era felicidade em tristeza, corroendo a pessoa por dentro. Para alguns, a dor é curta, e para outros, longa. Existem alguns que pensam "Mas que bela merda o amor é!". Estes já não têm mais o que temer, afinal de contas, já passaram pelo amor, estão passando pela dor, e o próximo estágio será a saudade.

domingo, 7 de novembro de 2010

O sonho

Era um sonho, só podia ser um sonho. Ele estava ali, com ela. Ele, logo ele! Ela já não sabia mais o que sentia por ele, se era só amizade ou se já era algo mais. Mas de uma coisa ela tinha certeza: era ele. E ele estava ali com ela, de mãos entrelaçadas. E aquilo só poderia ser um sonho.
O céu estava de um azul sem nuvens, assim como ela gostava. A brisa era agradável. As ondas quebravam na praia e derrubavam um surfista de sua prancha. E ele estava ali, de mãos entrelaçadas com ela. Definitivamente, era um sonho.
"Não quero acordar, não vou acordar" ela pensou. E não acordou. Retirou os olhos do céu e olhou para ele. Ele sorria. Seus rostos começaram a se aproximar, chegando a um ponto em que um podia sentir o ar quente expirado do outro. Achou que fosse acordar quando seus lábios se tocassem, mas não acordou.
Beijo doce, fosse pelo gosto do sorvete, fosse por quem o dera. Era suave e tradutor. Traduzia o "Eu te amo" que ela tanto queria dizer e ouvir. E, de repente, "Eu te amo", ele disse. Não acreditou no que ouvira, mas disse "Eu também te amo".
Levantaram-se e começaram a caminhar na praia, com a água do mar a molhar seus pés. Ainda estavam de mãos entrelaçadas, até que ele parou. Simplesmente parou, largando a mão dela. Ela sentiu medo. Talvez ela estivesse prestes a acordar. "Isso não está certo" ele disse. "O que não está certo?" ela perguntou, sentindo-se mais confusa que nunca. Afinal, como poderia não estar certo? Eles estavam juntos, se declararam. Isso era mais do que certo para ela.
"Não posso. Não está certo. Você não entende?" ele dizia, quase gritando. "Não, não entendo" foi o que ela pensou. "Eu não posso fazer isso. Vou me mudar próxima semana." ele dizia, mais pensando que explicando à ela. "Fazer o quê?" ela dizia, quase aos gritos também. Ele se aproximou, pegou a cabeça dela delicadamente, como se fosse beijar, mas não beijou. Ela suspirou. Agora ela entendeu. Era o fim. Quis acordar daquele sonho, já não queria mais aquele sonho, não queria.
Até que ele disse "Não posso me mudar e te deixar aqui, esse é o problema". Ela suspirou novamente, mas de alívio, desta vez. "Então, o que iremos fazer?" ela perguntou com curiosidade e desatando a pensar. "Eu tenho uma solução!" ele falou de repente, depois de um longo silêncio, e continuou: "Não sei se você concordará, mas acho que é a melhor solução" ele disse baixando o tom.
Agora sim, ela achou que estaria tudo terminado. Estava escrito em seu olhar. Sua boca cerrada, com medo do que viria a seguir, seus olhos já começando a lacrimejar. Olhou fundo nos olhos dele e viu que também haviam lágrimas. Era o fim. Quis novamente acordar. E ele disse "Case-se comigo".
"O quê?" ela disse. E ele repetiu: "Case-se comigo" e abriu um sorriso. Percebeu que ela parecia estar em estado de choque e foi até ela. "Eu entenderei se não quiser" ele disse, agora com lágrimas rolando pela sua face. Ela piscou e uma lágrima também desceu pelo seu rosto. Ela chegou mais perto dele, limpou sua lágrima e sussurrou "Eu não disse não, disse?" e abriu um sorriso.
Eles se olharam, como se estivessem dizendo "Eu te amo" novamente, e se beijaram. "Ok, se eu acordasse agora, acordaria muitíssimo feliz" ela pensou. Mas ela não acordou, aquilo não era um sonho.

domingo, 24 de outubro de 2010

Burguesinhas, academia e artes marciais

Elas andam em grupos, normalmente, de quatro ou cinco componentes, têm o mesmo corte de cabelo, se vestem da mesma forma, que acaba se tornando um uniforme: saia cintura alta, blusa e salto. Algumas usam maquiagem para ir à aula às 7 da manhã e utilizam o uniforme até para ir ao cinema. Quem são elas?
As burguesinhas também costumam fazer parte de um mundo paralelo ao mundo habitual (ou mundo real, diga-se de passagem) e, na maioria das vezes, costumam pensar que beleza é mais importante que conteúdo. Não digo que beleza não importa, pois ela realmente importa, mas ela não é a essência. Refiro-me aqui, à beleza delas próprias e à beleza que elas procuram em seus futuros cônjuges.
Falar de beleza me leva à outro elemento também presente na vida das burguesinhas: academia. Muitas burguesinhas utilizam a academia não só como válvula de escape ao estresse, mas também como modelador de suas curvas, para servir de auxílio na "paquera". Além de a academia ser um ótimo ponto de encontro para aqueles que estão à procura de um cônjuge perfeito (refiro-me à beleza, ao utilizar o termo perfeito).
Não digo que academia não traz benefícios à saúde de seus frequentadores. Mas digo que, muitas vezes, os próprios frequentadores só estão ali para adquirirem a tão procurada beleza.
Não poderia falar de academia e deixar de falar de artes marciais. Quer dizer, na grande realidade, poderia, mas acho importante falar. Quando eu era criança, todo garoto/adolescente que se denominasse "macho" praticava uma das famosas artes marciais. Uns preferiam judô, outros karatê, e alguns preferiam experimentar taekwondo. Era quase como uma regra à infância masculina. Digo sem medo de errar que os tempos mudaram, e mudaram muito, nesse aspecto.
Os meninos de hoje completam seus onze anos sem saberem dar um chute que se preze no ar, e com uma meta em sua linha de pensamento: começar a malhar para conquistar garotas. Por que eu deveria crer que a geração após à minha não está perdida? Ela, de fato, está. Afinal de contas, o aconselhado para dar entrada na academia é A PARTIR dos 15 anos, podendo variar conforme o organismo do indivíduo.
Levando em consideração que, começar a frequentar academia e pegar peso antes da idade indicada pode causar atrofia muscular e acarretar diversos outros problemas, por quê as crianças que acabaram de entrar na pré-adolescência teimam em querer ir para a academia?
Ainda gostaria de saber a resposta para a minha pergunta, mas tenho um palpite: as crianças estão "amadurecendo" cada vez mais cedo. As aspas são realmente necessárias, uma vez que as crianças NÃO estão amadurecendo antes do previsto, elas simplesmente acham que estão. O que leva a situação à outro rumo.
No final das contas, eu não posso fazer nada pela geração perdida, mas os pais dessas crianças ainda podem - ou não. Eles só precisam ficar de olho nas burguesinhas, que frequentam as academias para arrumarem namorado (além da questão física, não podemos nos esquecer); e prestar atenção nos meninos que se rebelam para não aprenderem a lutar, mas para terem músculos desenvolvidos. Só não me pergunte como eles vão entrar em uma briga tendo força e não tendo a tática de luta, porquê eu não sei.
Mas nunca se esqueça de que é um ciclo: as burguesinhas querem os garotos das academias - os garotos também querem as garotas das academias - e, esses últimos, deixam de frequentar as artes marciais para adquirirem massa muscular e impressionarem as burguesinhas. Essas últimas nos levam ao início do ciclo. E esse ciclo só terá fim quando essa geração tiver fim (SE ela tiver fim, porque do jeito que veio, acho que é pra ficar).

domingo, 17 de outubro de 2010

Céu, adolescentes e realidade

Eu queria saber voar. Não, na grande realidade, não queria. Mas, se pudesse, gostaria de passar toda a minha vida no céu, entre aviões e helicópteros. Não se engane, porque aeronáutica não passa perto da minha linha de planejamentos para o futuro. Entretanto, ficaria extremamente satisfeita se pudesse ter o céu perto de mim.
O céu aparenta ser um lugar mais calmo que a Terra. O máximo que pode acontecer são alguns aviões e helicópteros decidirem cruzá-lo e produzirem algum barulhinho. Mas que diferença esse barulhinho irá fazer, quando comparado ao barulhinho que produzimos na Terra?
Céu. Uma imensidão azul, assim como o mar. Talvez o céu e o mar se completem, no final das contas. Ou, pelo menos, assim deveria ser. Duas imensidões azuis, juntas, até o infinito do horizonte azul.
Um horizonte azul. A cor azul me lembra a cor branca, uma vez que esta é a junção de todas as cores. E a cor branca me lembra paz, o que me lembra o céu novamente. Céu e paz, daria o mundo para tê-los em meu bolso, só para mim. A adolescência não nos dá paz, muito menos um céu. Ela nos dá um leque de indecisões e descargas infinitas de hormônios. Os adolescentes querem que todos os seus planos se concretizem da forma com que foram feitos e, se uma mínima porcentagem não sair da forma desejada, BUM! Lá vem mais uma descarga hormonal. Isso é um céu repleto de paz? Acho que não.
O fato é que os adolescentes não vivem a realidade, eles só acham que vivem. Realidade não é o que eles sentem, ou a escola, ou seus desejos. Realidade é tudo aquilo que nos é posto a prova para nos testar, nos enganar e nos marcar. Um adolescente, ao entrar na puberdade e encontrar seu(sua) namorado(a) acha que aquilo durará para sempre, mas não durará. Quem sabe, se concretiza em casamento. Mas o namoro deixará de ser namoro, se tornará um casamento, e a realidade mudará.
Tudo o que é bom, dura pouco, inclusive a adolescência. Com exceção do céu, que continuará ali, quando um adolescente se rebelar, e a realidade já não parecer mais suportável.

sábado, 7 de agosto de 2010

Saudade de origem

Marcela se recuperou. Finalmente conseguiu fazer com que o passado se postasse no pretérito e não no presente. Ela ainda não compreendia como conseguira fazer isso em apenas uma semana, depois de tantos meses com tentativas fracassadas. Mas não se importava, sentia-se inteiramente feliz por estar feliz novamente. Pode não fazer sentido para você, caro leitor, mas faz todo o sentido para ela.
Com a felicidade dentro de si, Marcela passou a acreditar - mesmo que em parte - em contos de fadas. Digo, no final feliz dos contos de fadas. Passou realmente a acreditar que, mesmo depois de tanto sofrimento, seria feliz novamente.
Agora, Marcela sentia algo à mais. Não que fosse algo relacionado à sua felicidade. Mas sentia ainda mais saudade do lugar de onde viera, de sua cidade natal. Queria voltar a morar lá, queria voltar a ser feliz como um dia fora quando morava lá. Não sabia o quanto amava aquele prédio, aquele colégio, aquelas ruas, a forma com que as ruas se iluminavam ao anoitecer. Não sabia tudo isso até não poder mais ter isso todos os dias, e ter de viver em outra cidade, outro prédio, outro colégio, outra rua.
Às vezes Marcela achava que exagerava quanto a esse sentimento, com toda essa saudade. Mas será que era mesmo exagero? Ou será que era comum sentir isso? Talvez fosse, mas que poucas pessoas se sentissem da forma como Marcela se sentia. Também não se importava tanto com isso, mas simplesmente sabia que sentia saudade.
Apesar de não haver algo que pudesse fazer, ela esperava. Não, ela ansiava. Ansiava pelo dia em que poderia voltar ao seu lugar de origem, do lugar que não deveria ter saído. Ela acabou por chegar à conclusão de que teria sido mais feliz se não tivesse saído de lá, mas ela estava feliz agora. E não havia mais nada a temer.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Desaparecida superação

"Mãe, amanhã tem uma festa muito boa. Posso ir?", disse Marcela à sua mãe no final da tarde de quinta-feira. Marcela sabia que sua mãe odiava ter de acordar entre 5h e 6h da manhã para pegá-la nas festas. Sua mãe pensou nisso assim que Marcela falou sobre a festa, mas também pensou em outra coisa. Pensou no quanto Marcela andava triste e do quanto necessitava de uma boa festa com os amigos. Sua mãe não conseguiria negar esse momento de descontração para Marcela.
Às 21h30 do dia seguinte, Marcela estava se arrumando para a tão esperada festa. Deu carona a alguns de seus amigos e rumaram para o local da festa. Lá chegando, Marcela encontrou outros amigos e também pessoas que não eram tanto de seu agrado, mas sentiu-se bem por estar ali. Há tempos precisava de uma festa para desopilar e, finalmente, ali estava ela.
Marcela dançou, pulou, cantou, curtiu. Encontrou dois garotos de seu agrados e com eles ficou. Estava muitíssimo contente. Até que se deu conta de que por mais que tivesse visto novos rostos e que até tivesse ficado com eles, seu coração continuava a pertencer à uma pessoa específica. Pessoa, a qual, ela muito provavelmente não tornaria a sentir o sabor do beijo.
Ela queria superar isso. Queria se ver livre desse sentimento que teimava em rondá-la; queria encontrar um novo garoto para amar; queria um novo olhar de entendimento; queria aquela sensação de ter um companheiro. Mas o que Marcela mais queria era esquecer Matheus.
Ela já não sentia mais aquela melancolia, mas ainda podia sentir a ferida aberta em seu coração. Sabia que aquilo era um bom sinal, significava que o sofrimento estava começando a ceder, mas Marcela tinha medo de que fosse apenas uma ilusão, um engano. Afinal, isso já aconteceu antes, e depois o sofrimento voltou pior do que nunca.
Marcela sabia que ele não merecia suas lágrimas, nem seu amor. Mas isso era algo que ela não podia controlar. Simplesmente sabia que tinha de esquecê-lo e dar todo o seu amor para alguém que de fato o merecesse.
Nesse momento, Marcela se perguntou por que as pessoas têm a mania de magoar os outros. Afinal, para que ser tão grosso e desprezível com alguém que um dia você já amou? Era assim que Matheus vinha se portando com Marcela nos últimos tempos. Pensou em revidar esse comportamento, mas se o fizesse, seria tão grossa e desprezível quanto ele, e isso não valeria à pena.
No final das contas, Marcela acha que nada sabe sobre a vida, e que veio ao mundo apenas para sofrer. Mas Marcela ainda está na adolescência e, apesar de ser bem madura e já saber distinguir sentimentos, ainda há muito para acontecer, muita água ainda vai rolar.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Perdão e esquecimento

Marcela se cansou. Cansou de se sentir triste todos os dias dos últimos meses; cansou de se sentir traída pelos próprios amigos; cansou de achar tantos defeitos em si mesma e em sua vida. Cansou de ser aquela Marcela sofredora, que por fora era um mar de alegria com os amigos, mas que quando se encontrava sozinha na segurança de sua casa, desatava a chorar.
Estava farta de ver todos ao seu redor felizes, e ela estar ficando para trás, afundada naquela melancolia. Marcela queria lutar contra aquela depressão que teimava a prendê-la em sua cama, e a fazia pensar no que fez e no que poderia ter feito, ou ainda, fazia-a pensar em nada. Ela queria tirar toda aquela mágoa e todo aquele sofrimento que habitavam seu coração. Mas isso era querer demais para Marcela. A cada passo que dava na rua, lembrava-se claramente do que a deixava daquele jeito.
Marcela já não tinha mais amor dentro de si. Digo, ela amava sua família e seus amigos,mas não o que havia dentro de si. Já não tinha mais amor por si própria. Já não tinha mais vontade de se cuidar, de ir ao cabeleireiro ou de sair com os amigos. Marcela já não tinha mais vontade de viver.
Passaram-se meses de sofrimento para que Marcela percebesse a que ponto o seu sofrimento a estava carregando. Decidiu que não queria mais viver daquela maneira, quase robótica. Queria acordar pela manhã, dar uma volta na praia e dizer "Mas que dia lindo!", como há tempos não fazia.
Mas é uma pena que às vezes nossos planos não saiam da forma desejada. Isso também costuma acontecer com Marcela, e ela acabou por não conseguir o que queria. Não conseguia nem se levantar da cama! Marcela não podia desistir, depois de ter chegado tão longe, mas também não conseguia perdoar os autores de seus sofrimentos.
De repente, deu-se conta que os agentes da dor nunca chegaram a lhe pedir desculpas ou perdão. E veja bem, caro leitor, desculpas se difere em tudo de perdão. Damos desculpas a um estranho quando esbarramos nele na entrada de uma loja; talvez desculpas não sejam suficiente para o sofrimento de Marcela. O perdão se adequa à situações que envolvam profundo arrependimento e sentimentos dos mais variados.
Marcela acabou por chegar à conclusão de que, se não houve humildade o suficiente para se admitir um erro e pedir perdão, não há motivos para perdoar algo como isso, somado ao erro anterior. Errar é humano, mas paciência tem limites. Marcela já sofreu o suficiente por pessoas que não valeram a pena.
Então, querido leitor, o que fazer numa situação como essas? Esqueceria tanto sofrimento e viveria sua vida normalmente? Afinal de contas, talvez seja por isso que Marcela não segue em frente: é sofrimento demais para ser simplesmente esquecido.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

A não-ficção da ficção

Harry Potter, Saga Crepúsculo, e tantos outros... Todas são ficções. Ficções que tem lá suas tramas baseadas em uma bela realidade. Entretanto, detirei-me entre essas duas. Comecemos com Harry Potter: a história se passa, em sua maior parte, dentro de um castelo, que fica localizado na Inglaterra. Castelo, o qual, recebe alunos ingleses que apresentam características específicas: serem dotados de bruxaria. Estudam magia, a interação da magia com as pessoas que não são bruxas (trouxas), aprendem a transformar objetos sólidos em líquidos ou até em animais e tantas outras coisas, que nos deixam de boca aberta com a criatividade da autora.
Apesar de se tratar de um filme repleto de adolescentes que utilizam varinha em suas aulas, que são capazes de voar em vassouras e lutar com dragões, dementadores e serem amigos de hipogrifos, a história nos passa algumas lições.
Não é uma lição do tipo "Aprenda a lutar com dementadores!". Além de que, dementadores são criaturas mágicas, criadas pela autora. Não, J.K. Rowling nos passa lições bem mais úteis ao nosso dia-a-dia.
Já parou para pensar o quão infeliz um adolescente órfão pode ser? Mas Harry é diferente. Apesar de ele sentir uma saudade imensa dos pais que nunca chegou a conhecer, Harry não se sente infeliz com isso, pois sobrevive a partir da maior prova de amor que ele poderia ter vivenciado: Seus pais se sacrificaram para seu bem. Bom, a intenção de Voldemort era matá-lo também, mas com a proteção que Harry recebeu de seus pais, isso não foi possível.
Harry passa a viver com seus tios, tendo de conviver com um primo que o maltrata até dizer chega, dorme em um armário sob a escada, mas quando descobre que passaria a estudar na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, não acredita. O motivo para isso não é o fato de ele se ver livre de seu chato primo e das lamúrias de seus tios, quer dizer, talvez também fosse por causa disso, mas o motivo principal era a nova vida que ele passaria a ter. Passaria a entender um pouco mais sobre seus pais, um pouco mais sobre si mesmo.
No final das contas, Harry Potter não é uma mera história repleta de crianças que utilizam uma varinha para praticar feitiços. Trata-se de uma história que engloba toda a magia dentro de um cotidiano de adolescentes normais. Adolescentes que se divertem, que se apaixonam, que aprendem a conviver com as diferenças, a lidar com situações de extrema cautela e tantas outras coisas que causariam impacto em qualquer pessoa.
Talvez seja por isso que essa série faça tanto sucesso. Seus leitores vêem Harry não como um herói, mas como uma criança ou adolescente, assim como ele. Vê que Harry também pode ser de carne e osso, com amigos incríveis e ótimas oportunidades, sabendo aproveitá-las da forma correta, sem fraquejar ao enfrentar seus medos, seja para ajudar um amigo, ou para salvar sua própria pele quando se mete em apuros.
Além de todas as aventuras, de todas as travessuras e de todas as enrascadas que Harry se mete, os livros nos passam lições como a amizade, passando-nos a percepção de que, se você estiver ali para ajudar seus amigos, eles estarão ali para lhe dar uma mão; tem também a lição de coragem, tem de ser bastante corajoso para enfrentar todos os seus medos, assim como Harry enfrenta, e também ser corajoso para ajudar os amigos nas grandes necessidades; nos mostra a importância da família, mesmo que não seja de sangue, mas que seja de amor e de carinho; a história também apresenta a questão do respeito entre Harry e Dumbledore, o qual é o diretor da escola e também respeita e ama Harry como se fosse um filho; aborda o quão pode ser importante a presença de alguém inteligente e extremamente dedicado aos estudos, em momentos de suma necessidade; trata também da felicidade que Harry sente ao passar pelos portões de entrada de sua tão adorada escola, pois ali dentro, ele se sente bem, sente-se completo, sente-se em casa.
Apesar dessas e de outras lições que a história nos passa, ainda há quem diga que Harry Potter é só uma "ficçãozinha" que não complementa em nada no conhecimento de seus leitores. É realmente uma pena existirem pessoas que acham isso, mas são elas que estão perdendo todo conhecimento contido em cada página desses livros...
(To be continued)

sábado, 3 de julho de 2010

Felicidade e contra-tempos

Marcela era uma adolescente normal para sua idade. Estudava, saía com os amigos, adorava festas e o que mais queria era ser feliz na vida. Bom, até aquele momento, ela acreditava ser feliz.
Sua adolescência continuou a caminhar lentamente, e Marcela, apesar das dificuldades pelas quais passava, acreditava que sua adolescência deveria ser invejada por qualquer um.
E então, aconteceu o que faltava para Marcela ter sua vida inteiramente feliz: a paixão. Ele era moreno, alto, de cabelos negros e olhos penetrantes. Olhos, os quais seria capaz de desvendar o que se passava em sua cabeça. Quanto mais Marcela convivia com ele, mais se apaixonava.
Foi um grande alívio para Marcela, quando ela descobriu que seu mais novo vício sentia o mesmo por ela. Matheus, Matheus, Matheus e mais um pouco de Matheus. Era só isso o que se passava pela cabeça de Marcela. Aquilo que Marcela sentia era algo definitivamente novo para ela. Um sentimento forte, que a enlaçava de tal forma nunca antes vista. Com o passar das semanas, dos meses e, finalmente, após um ano de um relacionamento repleto de felicidade, paixão, compreensão e dedicação, Marcela finalmente entendeu. O que ela sentia não era mera paixão, não era mero afeto. Aquilo era amor, amor de verdade, foi o que Marcela entendeu.
Marcela não era simplesmente apaixonada por Matheus. Ela via em seu namorado, um amigo, um companheiro de uma vida, um alguém que poderia estar com ela até à terceira idade, mas ela não se cansaria de sua companhia. Esse seu alguém a fazia se sentir bem, a fazia se sentir amada, a fazia se sentir a melhor pessoa do mundo.
Mas assim como a infância teve seu fim, o relacionamento entre Marcela e Matheus tomaria o mesmo rumo. Um rumo proveitoso para uns, e desastroso para outros.
Matheus seguiu em frente com sua juventude, aproveitando sempre que possível e quando não possível também, mas com Marcela foi diferente. Marcela não conseguiu tocar sua vida para frente. Por algum motivo, ela achou extremamente difícil esquecê-lo. Talvez fosse pelo duradouro tempo no qual passaram juntos, ou porque o amasse de verdade.
No final das contas, quando achou que finalmente tivesse superado tudo isso, deparou-se com uma surpresa nada agradável. Marcela descobriu que Matheus já estava namorando novamente. E o pior, Matheus começara a namorar uma das melhores amigas de Marcela.
Como Marcela se sentiu com essa situação pairando em sua cabeça? Bom, caro leitor, passo essa pergunta à você. O que você faria se você se encontrasse em uma situação como essas? Cortaria os pulsos, tentaria suicídio, pararia de comer...? Pode ter certeza de que todas essas e outras opções passaram pela mente de Marcela, mas o que ela poderia fazer, fora aceitar o que o destino botou em suas mãos?
"Como eles puderam fazer isso comigo?" pensava Marcela, à todo momento. Mas o que já estava feito, não mostrava caminhos de volta. Entretanto, se Marcela pudesse voltar no tempo, tentaria descobrir o que fez de errado, ou o que deixou de fazer. Mas isso não era possível, e o que Marcela fez, foi seguir a vida, tentar perdoar o erro de Matheus e de sua amiga.
Marcela acabou por descobrir, mesmo depois de tanto tempo, que ainda o amava, e que talvez isso perdurasse por bastante tempo. Descobriu também, que o perdão é divino, apesar de nem todos o merecerem, mas tu merecerás, se souber perdoar. Por isso, eu lhe pergunto, caro leitor: você perdoaria?

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Bonecas de tempos

Quando Beatriz era pequena, costumava brincar de bonecas. Tinha de todos os tipos: de Barbie à Polly. Beatriz tinha mãos cheias de amigos. Chamava Fulaninha para o clube no sábado, e ia com Cicrana para o play no domingo. E na segunda, encontrava com seus colegas de classe, os quais eram sempre muito harmoniosos com Beatriz.
Mas o tempo sempre passa, e com Beatriz não foi diferente. De repente, já não brincava mais com sua bonecas, e queria passar todo o seu tempo livre no computador. Já não mantinha as amizades que tivera na infância. Agora Beatriz tinha outros amigos.
Ela e seus amigos iam em grupo para o cinema, soltavam piadinhas uns para os outros e entraram juntos na adolescência. Em um dia frio de inverno, Beatriz se pegou pensando naquele garoto que senta atrás dela na sala de aula, o Gustavo. "Ah, Gustavo", suspirava Beatriz. Sim, ela havia chegado na fase da paixão da adolescência. Toda aquela lábia de Gustavo, aquele cabelo "jogadinho" do jeito que Beatriz gostava. Nossa, Beatriz se encantava com ele.
Quando se deu conta disso, ela quis imediatamente contar para alguém. Sua mãe e sua irmã eram cartas fora do baralho; havia também Luísa que sempre ia à sua casa para ver filmes, mas por algum motivo, Beatriz não quis que ela fosse sua caixa de segredos; pensou em Raquel, mas ela era fofoqueira demais. E à medida que Beatriz pensava nas possíveis pessoas às quais poderia contar, descartava-as na hora. Beatriz se viu sozinha.
E naquela solidão no meio de seus amigos, Beatriz pensou em sua vizinha. Aquela vizinha que sempre ia à sua casa brincar de Barbie. Aquela vizinha, a Laís. Ao pensar nela, Beatriz teve plena convicção de que era à ela que contaria seu mais novo segredo. "Mas e se ela não quiser mais ser minha amiga?" pensou Beatriz. Ponderou bastante quanto àquilo, mas já havia decidido que Laís se encarregaria de levar aquele segredo para o túmulo.
Assim que chegou em casa, Beatriz se dirigiu à porta de entrada de Laís e bateu três vezes. Fosse por destino ou por coincidência, foi Laís quem abriu a porta. Vários segundos se passaram enquanto elas se olhavam. E como um clarão, veio à mente de Beatriz todos os bons momentos que havia passado com Laís, e o quanto ela era importante. Laís a convidou para entrar, ela disse o que tinha ido dizer. Lá, ela passou a tarde e jantou. Riu durante a tarde inteira com sua velha amiga, mas teve a consciência de que não era a mesma coisa.
Beatriz finalmente se deu conta que deveria ter mantido sua amizade com Laís, ao invés de ter começado a sair com outras pessoas e ter esquecido sua grande, velha e boa amiga. Mas não havia mais nada que pudesse ser feito ou dito, já não tinha mais volta.
Para Laís, só restam as boas lembranças; para Beatriz, restam as lembranças e as lamentações por aquilo que não foi feito.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Patriotismo do tipo enganação

Clima de futebol é bom demais, não é? Aquela torcida vibrante, os nossos queridos jogadores em campo, o treinador dando berros que, quando a câmera pega, rimos até não podermos mais, com todos aqueles palavrões. Tudo isso é muito bom.
E aquela velha rivalidade com a nossa vizinha? É muito bom também, principalmente quando você está naquela rodinha de amigos, assistindo ao jogo, ou apenas fingindo, porque quer estar mesmo é com os amigos. Mas fingir? É realmente necessário fingir ser um torcedor nato para se encontrar com os amigos durante a Copa do Mundo?
Veja por exemplo, o meu pai. Ele vibra, xinga, pula, chora. Tudo por instinto brasileiro, por amor ao futebol. Já eu, não xingo, não pulo, nem choro, mas vibro, e acho que isso basta. Já pessoas do meu convívio - as quais, não irei citar os nomes - vibram, xingam, pulam e choram, mas tudo por enganação. Quais seriam os fins lucrativos para matar o patriotismo dessa maneira? Diabos, se você não é patriota, bata no peito e grite "Não sou patriota!". Isso não tomaria tanto do seu tempo.
Mas é claro que os anti-patriotas não farão isso, pois nós, brasileiros, somos vistos como os torcedores mais dedicados à nossa seleção. Além disso, como iríamos nos encontrar com nossos amigos nos dias de jogo? Simples: não encontraria.
É, meu caro(a), o brasileiro é assim mesmo. Maria-vai-com-as-outras. Se um amigo é patriota, todos são. Mas note que se um não for patriota, os outros não agirão como ele, mas o excluirão. Que coisa, ein? É, a sociedade é assim mesmo. Cada um por si, e Deus por todos. Só não se esqueça que o 'cada um por si' equivalirá ao grupo de patriotas.